
Tudo começou pelo avô António Sousa Oliveira que, com apenas 10 anos, iniciava no Colégio de Santa Clara, em Vila do Conde, a arte de encadernar. Aprendida a técnica, montou estabelecimento próprio na rua das Taipas acabando por se mudar,definitivamente, para o número 40 da rua do Pinheiro, uma travessa da rua Mártires da Liberdade, em Coronel Pacheco.
Os filhos, dois rapazes e uma rapariga, pô-los a trabalhar desde cedo, para que aprendessem o ofício e assim mantivessem o negócio no futuro. Assim foi, e hoje, encontramos João e José à frente das Encadernações Oliveira. Começaram cedo, como o pai, e terminada a quarta classe esperavam-os as prensas, as guilhotinas e as máquinas de dourar.
Segundo João Oliveira “esta arte nunca acabará pois há sempre quem queira restaurar livros antigos”. A verdade é que pelas suas mãos já passaram livros com mais de 600 anos, que são normalmente Bíblias.
Antigamente eram muito solicitados pelas livrarias para encadernar fascículos, hoje, já vem tudo feito e “os próprios jornais andam aí a oferecer livros”, pelo que a maioria da clientela são particulares interessados em restaurar tesouros da leitura do passado. E se nesse tempo longínquo se usava a pele de carneiro nas belas capas dos manuscritos, agora, utilizam-se sobretudo materiais sintéticos, muito mais baratos. Só quando há pedidos expressos se utiliza a pele de animal que já vem tratada e pintada do fornecedor, mas que pode sofrer novo tratamento aqui, no atelier dos Oliveiras, para ficar com o aspecto de desgaste que atesta o passar do tempo. Depois, compõem-se as letras, que são gravadas a quente e douradas. As réplicas são perfeitas, a maquinaria já não se fabrica, são autênticas peças de museu que ainda trabalham e dão lições à electrónica.
“Fechar nunca”, e se os netos, como o pequenote que encontrámos a brincar na rua, não se interessarem pelo ofício do avô António, hão-de arranjar quem pegue no negócio e o leve até às bodas de ouro, que já não estão longe.
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