terça-feira, 16 de Outubro de 2007

ENCADERNAÇÕES OLIVEIRA obras simples de luxo


Tudo começou pelo avô António Sousa Oliveira que, com apenas 10 anos, iniciava no Colégio de Santa Clara, em Vila do Conde, a arte de encadernar. Aprendida a técnica, montou estabelecimento próprio na rua das Taipas acabando por se mudar,definitivamente, para o número 40 da rua do Pinheiro, uma travessa da rua Mártires da Liberdade, em Coronel Pacheco.
Os filhos, dois rapazes e uma rapariga, pô-los a trabalhar desde cedo, para que aprendessem o ofício e assim mantivessem o negócio no futuro. Assim foi, e hoje, encontramos João e José à frente das Encadernações Oliveira. Começaram cedo, como o pai, e terminada a quarta classe esperavam-os as prensas, as guilhotinas e as máquinas de dourar.
Segundo João Oliveira “esta arte nunca acabará pois há sempre quem queira restaurar livros antigos”. A verdade é que pelas suas mãos já passaram livros com mais de 600 anos, que são normalmente Bíblias.
Antigamente eram muito solicitados pelas livrarias para encadernar fascículos, hoje, já vem tudo feito e “os próprios jornais andam aí a oferecer livros”, pelo que a maioria da clientela são particulares interessados em restaurar tesouros da leitura do passado. E se nesse tempo longínquo se usava a pele de carneiro nas belas capas dos manuscritos, agora, utilizam-se sobretudo materiais sintéticos, muito mais baratos. Só quando há pedidos expressos se utiliza a pele de animal que já vem tratada e pintada do fornecedor, mas que pode sofrer novo tratamento aqui, no atelier dos Oliveiras, para ficar com o aspecto de desgaste que atesta o passar do tempo. Depois, compõem-se as letras, que são gravadas a quente e douradas. As réplicas são perfeitas, a maquinaria já não se fabrica, são autênticas peças de museu que ainda trabalham e dão lições à electrónica.
“Fechar nunca”, e se os netos, como o pequenote que encontrámos a brincar na rua, não se interessarem pelo ofício do avô António, hão-de arranjar quem pegue no negócio e o leve até às bodas de ouro, que já não estão longe.

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